31 de agosto de 2012

AS DEZ VIRTUDES CRISTÃS

A VIRTUDE DA ALEGRIA 

Toda virtude é uma força interior, presente no coração, que leva a realizar os atos próprios dela mesma. Por exemplo: a virtude da humildade leva a realizar atos humildes. A virtude da mansidão leva aos atos que manifestam a mansidão. Assim a virtude da alegria, além de gerar um bem estar interior feliz, se manifesta com expressões alegres.
É preciso distinguir desde logo três tipos de alegria: 1º A alegria natural. É aquela que reside naturalmente numa pessoa. É congênita. A pessoa é alegre por natureza. 2º A alegria momentânea, é aquela que desponta sempre que há um acontecimento bom. 3º A alegria virtude-fruto, aquela que reside no íntimo de uma pessoa, motivada por razões agradáveis e permanentes. Falamos aqui dessa terceira: a virtude da alegria. virtude da alegria é profunda, agradável, feliz, gratificante. Na verdade, essa virtude nasce do amor-caridade. Aquele que “experimenta” pessoalmente e vive a maravilha do amor do Pai celeste, do amor de Jesus ressuscitado, do amor do Espírito Santo e do amor dos irmãos, só pode sentir muita alegria profunda, baseada nesse amor. Trata-se de uma alegria recheada de felicidade. É muito profunda e duradoura. Saber-se amado gratuita e incondicionalmente pelo Pai, por Jesus, pelo Espírito Santo e pelos irmãos, gera essa alegria espiritual profunda que deixa o coração realmente satisfeito e feliz. Existindo essa experiência do amor de Deus e dos irmãos, existem causas profundas e duradouras para que a alegria seja permanente.
A verdadeira alegria do coração humano baseada no amor de Deus e dos irmãos é também fruto do Espírito Santo. Quero dizer, é o Espírito Santo quem a produz, pois é Ele quem nos concede o amor de Deus e dos irmãos.
A alegria e o gozo gerados pelo Espírito Santo são caracterizados por aquelas emoções interiores, por aquela alegria interior, e por aquela satisfação espiritual profunda que Ele derrama no coração e na alma. A pessoa sente uma alegria, um gozo inexplicáveis. Não há palavras humanas que possam descrever a alegria e o gozo que provêm do Espírito Santo.
A alegria produzida pelo Espírito é o profundo regozijo do coração, o verdadeiro gosto de viver, a "satisfação no Senhor", independente das circunstâncias. “Alegrai-vos sempre no Senhor! Repito, alegrai-vos”, exclama São Paulo (Fp 4,4).. A pessoa pode passar por momentos difíceis que trazem tristeza, mas esta não substitui a alegria do Espírito. Mesmo durante as mais duras provações, podemos continuar experimentando a alegria no espírito.
É o amor quem gera alegria. O não saber amar é que gera a tristeza. Para sermos alegres, portanto, devemos pensar nos outros. A generosidade vivida sem medidas leva à alegria. Quando formos generosos descobriremos quem somos nós e o que realmente é a felicidade. As pessoas mais alegres são aquelas que colocaram Deus em primeiro lugar como fonte de todo amor. Assim a alegria verdadeira tem uma origem espiritual.
uem vive com o Amor sabe que não deve ter medo da dor e das tribulações, mas que a alegria é compatível com as dificuldades.

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  A VIRTUDE  DA  ALEGRIA
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A alegria é também uma virtude cristã. São Paulo exortava os cristãos de Filipos: «Alegrai-vos sempre no Senhor! De novo o digo: alegrai-vos!» (Fp 4,4). Esta insistência do Apóstolo deve ajudar-nos a entender que a alegria, para um cristão, não é só um sentimento. É algo que se procura, que se busca, usando da própria força da alma, quer seja sentida quer não seja, e é a isso que se chama virtude. O mesmo Apóstolo explica noutras epístolas: «Deus ama quem dá com alegria» (2 Cor 9,7) e aos Gálatas diz que a alegria é um fruto do Espírito Santo (Ga 5,22).
Como é que se pode transformar um sentimento (a alegria) numa virtude? Como é que se pode transformar uma ocorrência momentânea numa disposição habitual? A prática da alegria exige que se considere de um modo frequente aquilo que já possuímos e aquilo que ainda não possuímos, mas temos uma esperança firme de vir a possuir. Na prática, se consideramos com freqüência o grande amor de Deus por nós, e o nosso amor para com os irmãos, vamos consolidando as causas da alegria, e ela se tornará cada vez mais forte e profunda.
O exercício da virtude da alegria é, portanto, uma prática cristã. O cristianismo não pode ser nunca uma religião de tristeza porque isso seria identificá-lo com uma realidade má. A fé ensina-nos que já somos filhos de Deus e que ainda não se manifestou plenamente o que havemos de ser (cf. 1 Jo 3,2) mas essa esperança não engana porque o amor de Deus já foi derramado nos nossos corações (Rm 5,5). Por ser virtude, a alegria se manifesta em sorrisos, otimismo, abertura de coração, solidariedade, declarações de amor-caridade.
As virtudes são uma coroa de pérolas na qual cada uma tem sua beleza e força. E, ligadas entre si pelo fio do amor, formam uma unidade. A alegria é uma virtude sempre urgente. Se toda virtude procede de Deus e é uma participação de sua natureza, podemos nos perguntar: ‘Deus alegre?’ Lemos em Neemias: “Não vos entristeçais, pois a alegria do Senhor é a vossa força (Ne 8,10). O amor vivido no seio da Trindade Santa é eterna alegria. Na mútua entrega e no mútuo acolhimento perpassa a alegria de existir e ser. Jesus a testemunha quando na parábola dos talentos: “Muito bem, servo bom e fiel. Vem participar de minha alegria!”(Mt 25,21).
 A alegria do Pai celeste é ver a alegria dos filhos. O que Jesus sempre pregou foi a prática do amor uns para com os outros. Ensina: “Este é meu mandamento: amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 15,12). Este amor se constrói dentro de uma comunidade e é a alegria de viver, como lemos em Atos: “Dia após dia, unânimes, freqüentavam o templo e partiam o pão pelas casas, tomando o alimento com alegria e simplicidade de coração” (At 2,46). Esssa alegria é alimentada pelo Espírito Santo: “Os discípulos, porém, estavam cheios de alegria e do Espírito Santo” (At 13,52), pois o “Reino de Deus... é justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Rm 14,17). Jesus comunicou a alegria a seus discípulos e quer que seja uma dominante da comunidade nascente. Uma das experiências mais autênticas de Deus é o sentimento de profunda alegria que nos invade. Há uma razão: a presença de Deus em nós. Os fiéis curtem essa alegria em suas festas e na singeleza de seus relacionamentos.
Retomando o texto de Neemias “não vos entristeçais, pois a alegria do Senhor é a vossa força” (Ne 8,10), notamos que a alegria nos coloca acima das dificuldades da vida. Somos ungidos pelo Espírito que “nos ungiu com óleo de alegria” (Sl 45,7). O Evangelho é uma boa notícia de vida que provoca alegria. Os sofrimentos, mesmo que nos levem às lágrimas, não destroem as mil razões que temos de ter alegria. Seremos úteis ao mundo se formos instrumentos da alegria de Deus. Ela aliviará a cruz que carregamos. Alegrai-vos sempre no Senhor! (Fl 4,4).

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30 de agosto de 2012

AS DEZ VIRTUDES CRISTÃS

A VIRTUDE DA BONDADE       

A bondade é a virtude daquele que só ‘pensa’ o bem, ‘deseja’ o bem, ‘fala’ o bem, ‘faz’ o bem e ‘vive’ o bem. Essa bondade é uma força interior, na personalidade, que induz a pessoa a sempre ‘pensar’ o bem, ‘desejar’ o bem, ‘falar’ o bem, ‘fazer’ o bem e a ‘viver’ o bem.
Bondoso é todo aquele que sempre e só faz o bem, e faz aquilo que é bom. A bondade é o modo como tratamos as outras pessoas, querendo-lhes sempre todo o bem. A bondade faz o bem, desinteressadamente, às pessoas. A pessoa que só faz o bem é porque tem um bom coração.
A bondade não é um dom congênito. Não nascemos com esta virtude. Ela é adquirida, 1º ou por uma educação onde as pessoas eram realmente boas e deram exemplos constantes de bondade por palavras e atos, 2º ou é adquirida por influência de uma vida religiosa vivida sobre os alicerces do amor a Deus e ao próximo, 3º ou é adquirida por uma decisão de uma pessoa que se propõe a ser boa, e procura realizar ‘atos de bondade’, repete-os frequentemente, até tornar a bondade uma virtude, isto é, uma força interior que leva espontaneamente a realizar os atos de bondade.
Se quisermos crescer na bondade, então temos de adotar «exercícios de benevolência», buscar oportunidades concretas de demonstrar bondade. Além destes esforços, percebemos que mesmo as nossas melhores intenções falharão se nos basearmos apenas na nossa própria força. O crescimento em virtude precisa de abertura constante à ajuda de Deus.
A virtude da bondade é filha natural do amor-caridade. Aquele que se sente muito amado por Deus e pelos irmãos, e os ama deveras, sempre será uma pessoa bondosa. Será bondosa, porque experimenta pessoalmente a bondade de Deus em sua vida a ponto de poder exclamar:”Como Deus é bom para mim”! “Como Deus é bom para todos”! “Quanto bem Ele me faz”! “Quanto bem Ele nos faz”! Por essa experiência da bondade de Deus, seu coração se abre para querer ser um pouco como Deus é para ela. Esse desejo de ser bom é satisfeito pela ação do Espírito Santo que “infunde” um pouco da bondade de Deus no coração humano. Este cresce em sua capacidade de ser bom e de fazer sempre e só o bem, porque é o Espírito Santo que está produzindo o fruto da bondade neste coração.
A bondade é uma qualidade pessoal que permite que um indivíduo seja sensível às necessidades dos outros e que trabalhe pessoalmente para atender a essas necessidades. É mais do que apenas ser simpático e agradável.
Se nossa bondade for real será reflexo de Deus. Só Deus é bom, podemos por nossa bondade e virtudes refletir a bondade de Deus. A pessoa realmente boa nos ajuda a sermos bons, sinceros, trabalhadores, pacientes, a ter mais fé, a ter mais virtudes, a estar mais presentes nas dificuldades.
Qualquer investigação da bondade leva-nos logo a descobrir que, mais do que uma simples emoção, ou uma ação espontânea, ou um conceito abstrato ou uma ideia filosófica, a bondade é uma virtude. A virtude (em latim virtus, «força de caráter») é uma qualidade do intelecto e do caráter que permite e faz com que uma pessoa viva uma vida digna e eticamente boa, e a ‘pensar’ o bem, a ‘desejar’ o bem, a ‘falar’ o bem, a ‘fazer’ o bem e a ‘viver’ o bem.

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AS DEZ VIRTUDES CRISTÃS

A VIRTUDE DA BONDADE
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Quem possui a virtude da bondade naturalmente transborda por suas palavras, por seus atos, por sua vida, a bondade de seu coração. Ele não é apenas bom para com aqueles que são bons ou que lhe demonstram sua bondade. É bom para todos. Faz o bem a todos. Mesmo àqueles que lhe fazem mal. Aliás, Jesus ensinou isso quando disse em Mateus 5,44 “Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos perseguem e caluniam”.
A virtude da bondade é reconhecida pela gratuidade. A pessoa bondosa faz sempre e só o bem, gratuitamente, sem buscar ou esperar recompensas. A bondade gera uma necessidade deveras interessante no coração da pessoa: a necessidade de fazer o bem. Há uma inclinação interior ao bem. Isto é obra do Espírito Santo.
Lemos em Lucas 6, 33 as palavras de Jesus que nos mostram essa gratuidade: “E se fazeis o bem aos que vos fazem o bem, que recompensa mereceis? Pois o mesmo fazem também os pecadores”. E em Lucas 6,35 “Pelo contrário, amai os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem daí esperar nada. E grande será a vossa recompensa e sereis filhos do Altíssimo, porque ele é bom também para com os ingratos e maus”.
A pessoa boa nos faz olhar para cima, para coisas mais nobres e boas. Nos ajuda a sair do nosso olhar egoísta, nos ajuda a sermos pessoas melhores. A pessoa boa tem virtudes reais e por isso eleva o nível das pessoas à sua volta com um modo de ser mais humano. A pessoa boa perdoa. Tira por menos as dificuldades do convívio devidos às diferenças de caráter, oferece um entendimento misericordioso perdoando rapidamente modos de ser desagradáveis e defeitos dos demais. A pessoa boa faz acreditar na verdade, leva os demais para Deus. Nela existe uma harmonia de pensamento e ação. Há uma harmonia entre interior e exterior. É uma pessoa de uma peça só. A pessoa boa tem as suas fraquezas mas não é dominada por elas e mantém o esforço permanente de melhorar e combater seus defeitos. A pessoa boa tem sempre o coração aberto: para os demais, para os diferentes modos de ser, para as diferentes expressões culturais, para continuar aprendendo. A pessoa boa ama a todos sem que tenha que ter razões especiais para isto. A todos deseja o bem. É muito bom ser bom!



29 de agosto de 2012

AS DEZ VIRTUDES CRISTÃS

A VIRTUDE DA HUMILDADE

O nome “humildade” vem da língua Latina "humus" que significa “terra fértil”. A terra fértil acolhe as sementes, lhes comunica a energia para desabrochar, crescer, tornar-se arbusto e produzir frutos abundantes. A humildade, portanto, é um terreno fértil para produzir todas as demais virtudes humanas e cristãs. Esse terreno fértil é o “coração”, ou seja, o interior do ser humano.
A Humildade é a virtude que nos revela a realidade exata da nossos dons, nossas qualidades, nossas virtudes, nossas possibilidades, e ao mesmo tempo nos revela nossas fraquezas, nossa modéstia, nossa pobreza interior, nossas limitações e até nossos vícios e nossas tendências negativas. A humildade, portanto, nos dá uma radiografia exata de nossa pessoa e personalidade.
A humildade tem como fundamento necessário a verdade. 1º A verdade sobre nós mesmos, 2º a verdade sobre nós diante de Deus e 3ºa verdade sobre nós diante dos outros seres humano.
1º Em relação a Deus, pela humilde a pessoa reconhece a grandeza de Deus, seus direitos sobre nossa pessoa, pois fomos criados à sua imagem e semelhança, dEle recebemos o dom da vida e todos os dons naturais e sobrenaturais. Por isso a humildade nos torna agradecidos para com Deus, abertos às suas orientações e vontades, acolhedores de suas graças. Nisto, a humildade é porta aberta para a santidade. A humildade é um terreno fértil da santidade.
2º Em relação a si mesmo, a pessoa humilde reconhece a verdade sobre a sua própria pessoa. Reconhece seus dons, suas qualidades, suas virtudes, suas possibilidades de agir bem. Sabe que tudo lhe foi doado, por isso não se vangloria, não se orgulha, não se envaidece. Pela humildade a pessoa reconhece também suas fraquezas, suas limitações, suas tendências negativas, até seus vícios e pecados. Não se entristece, não cria inferioridade. Procura, isto sim, na humildade, superar as fraquezas, vencer as tendências negativas e os pecados.
3º Em relação ao próximo, a pessoa humildade reconhece e valoriza seus dons, suas qualidades, suas virtudes, suas boas ações, e sabe apreciar, elogiar e promover o outro. Mas sabe também conhecer as fraquezas, as limitações, as tendências negativas do outro, mas jamais critica, difama, humilha, acusa ou condena. Nisto, a humildade é muito misericordiosa e bondosa. A experiência das próprias fraquezas leva a ter misericórdia diante das fraquezas do outro. A pessoa humilde, sabe que os outros têm muito a lhe ensinar, e não desperdiça a graça de aprender, e de amadurecer significativamente em tudo o que faz. Quem é humilde reconhece o que tem de bom no outro, cresce com ele, valoriza-o e lhe dá a oportunidade de também ser bom. Ser humilde é saber ir até o ponto de não interferir nos outros, ser humilde é não intrometer na vida dos outros.
A verdadeira humildade é aquela pela qual o homem tem consciência e possui uma convicção do que ele é, da sua capacidade, da sua força ou da sua fraqueza, compreende a sua inferioridade, reconhece seus limites, mas não sofre. Por isso, se esforça e trabalha para ser melhor e procura constantemente seu aperfeiçoamento físico, moral e espiritual.
A humildade é sabedoria, é ser gente com os outros, é deixar-se ajudar pelos outros, é saber respeitar os demais, é dar espaço para amar e ser amado, para encontrar e ser encontrado. Se diz que a humildade é uma virtude humilde.
Ela torna discretas as outras virtudes, e despercebidas de si mesmas.

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AS DEZ VIRTUDES CRISTÃS.

VIRTUDE DA HUMILDADE -
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A humildade não é depreciação de si mesmo, não é ignorância com relação ao que somos, mas ao contrário, se tem conhecimento exato do que não somos, mas também daquilo que temos de bom. A força desta virtude está na alma e não precisamos ser santos para ter humildade.
Esta consciência daquilo que somos, tanto de bom como de limitações, se adquire lentamente pelo trabalho interior, ou pode ser provocada pelo reconhecimento da existência de alguém superior a nós mesmos, por reconhecer a grandeza de Deus, o Ser Supremo, as suas forças universais com as leis que as regem. Diante dessa compreensão e reconhecimento interiores nasce a humildade, como reverência à grandeza do Criador.
A humildade é uma virtude que atua sem ilusão, sendo guiada pela razão. Por isso, um bom conhecimento teórico da humildade favorece o aprofundamento nesta virtude. A humildade produz no interior do homem: alegria, paz e serenidade. A verdadeira humildade sempre está acompanhada de outras virtudes: caridade, misericórdia, amor, verdade e compaixão.
Entretanto, a virtude da humildade como maturidade de ser e de existir, tem um valor e um sentido transformador e dignificante para a vida humana. Humilde é a pessoa que tem a capacidade para se relacionar sadiamente consigo, com os outros, com os bens da criação e com o Criador.
Humildade é a virtude de alguém que tem consciência do que é: de suas virtudes, habilidades e qualidades, mas igualmente de seus limites e fraquezas. Humilde é a pessoa aberta para a vida, para a transformação, para a mudança, para o crescimento, para o acolhimento dos valores e da ajuda de Deus e dos outros. Uma pessoa humilde sabe que não é dona da verdade. Ela está sempre aberta à mudança e ao crescimento. Reconhece e aceita que todos têm algo a ensinar. Não exclui ninguém. Busca conviver com todos tendo um espírito de disponibilidade para colaborar, como tem maturidade para aceitar a ajuda de qualquer pessoa independente de sua posição social, cultural, ou religiosa. É alguém grato à vida.
Na verdade, a virtude da humildade nos leva ao verdadeiro auto conhecimento, com nossas virtudes e limites. Nos leva também a reconhecer e aceitar o valor de cada pessoa e de sua importância no convívio social. A humildade, como virtude, é indispensável para que o próprio amor aconteça. Sem humildade não há verdadeiro amor, pois sabemos que o amor exige e supõe a comunhão, a partilha e a parceria de vida, isto é, o espírito de vida em equipe, a busca da justiça do social, a abertura de vida para o acolhimento e da entre ajuda.
Portanto, a pessoa humilde apresenta normalmente estas características: Admite que não é dona absoluta da verdade. Sabe acolher e respeitar a pessoa do outro. Está sempre aberta para aprender e mudar. Ajuda e se deixa ajudar. Ama e se deixa amar. Tem boa convivência social. Não nega suas habilidades e qualidades, como igualmente seus limites e fraquezas. É alguém amadurecido no seu ser, existir e conviver. Sabe antes de tudo reconhecer os valores do que os defeitos de cada pessoa com a qual convive. É por natureza serviçal. Particularmente é alguém agradecido por tudo o que recebeu e recebe de Deus, da vida e de todos. Alguém integrado consigo.
A pessoa verdadeiramente humilde não se considera superior, nem inferior a ninguém, pois vê em todos um universo de inteligência e de beleza. Por isso, o humilde não discrimina, nem maltrata qualquer pessoa. Para ele, ricos e pobres, inteligentes e obtusos, bons e maus são, antes de tudo, filhos de Deus.
Uma pessoa verdadeiramente humilde não se orgulha de seus bens, de sua riqueza, de seu patrimônio intelectual ou de sua boa aparência. E age assim porque sabe que tudo é passageiro na vida terrena. Um homem assim é sábio e, certamente, vive tranqüilo.
A pessoa humilde é o mesmo em todas as ocasiões. Se está em situação desfavorável, conserva-se tranqüilo e não se sente inferiorizado, pois conhece suas potencialidades.
Se vive em condições confortáveis, busca vivenciar a solidariedade, a alegria, o bom humor e a tolerância. É assim que se constrói um futuro de alegria e realização.
Jesus Cristo nos deixou lições e exemplos de humildade. Ao lavar os pés de seus discípulos quis revelar a grandeza da humildade que sabe servir até nas atitudes mais humildes. Ele também disse: “Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração”. Em outra oportunidade falou: “Quem se orgulha será humilhado e quem se humilha será exaltado”.

28 de agosto de 2012

AS VIRTUDES EMBELEZAM A PERSONALIDADE

AS TRÊS VIRTUDES TEOLOGAIS

A VIRTUDE DA CARIDADE.

A caridade é a virtude teologal pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas, por si mesmo, e ao nosso próximo como a nós mesmos, por amor de Deus.
Jesus fez da caridade o ‘novo mandamento'. Amando os seus "até o fim" (Jo 13,1), manifesta o amor que recebe do Pai. Amando-se uns aos outros, os discípulos imitam o amor que também recebem de Jesus. Por isso diz Jesus: "Assim como o Pai me amou, também eu vos amei. Permanecei em meu amor" (Jo 15,9). E ainda: "Este é o meu preceito: Amai-vos uns aos outros como eu vos amei" (10 15,12).
Fruto do Espírito e plenitude da lei, a caridade guarda os mandamentos de Deus e de seu Cristo: "permanecei em meu amor. Se observais os meus mandamentos, permanecereis no meu amor" (10 15,9-1O)
Cristo morreu por nosso amor quando éramos ainda "inimigos" (Rm 5, I O). O Senhor exige que amemos como Ele, mesmo os nossos inimigos (Mt 5,44), que nos tomemos o próximo do mais afastado", que amemos como Ele" as crianças e os pobres'",
O apóstolo S. Paulo traçou um quadro incomparável da caridade: "A caridade é paciente, a caridade é prestativa, não é invejosa, não se ostenta, não se incha de orgulho. Nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta" (I Cor 13,4-7).
Diz ainda o apóstolo: "Se não tivesse a caridade, nada seria ... ". E tudo o que é privilégio, serviço e mesmo virtude, "senão tivesse a caridade, isso nada me adiantaria" (1 Cor 13,1-4). A caridade é superior a todas as virtudes. É a primeira das virtudes teologais: "Permanecem fé, esperança, caridade, estas três coisas. A maior delas, porém, é a caridade" (1 Cor 13,13).
O exercício de todas as virtudes é animado e inspirado pela caridade, que é o "vínculo da perfeição" (CI 3,14); é a forma das virtudes, articulando-as e ordenando-as entre si; é fonte e termo de sua prática cristã. A caridade assegura e purifica nossa capacidade humana de amar, elevando-a à perfeição sobrenatural do amor divino.
A prática da vida moral, animada pela caridade, dá ao cristão a liberdade espiritual dos filhos de Deus. Já não está diante de Deus como escravo em temor servil, nem como mercenário à espera do salário, mas como um filho que responde ao amor daquele "que nos amou primeiro" (lJo 4,19):
Ou nos afastamos do mal por medo do castigo, estando assim na posição do escravo; ou buscamos o atrativo da recompensa, assemelhando-nos aos mercenários; ou é pelo bem em si mesmo e por amor de quem manda que nós obedecemos, e estaremos então na posição de filhos".
A caridade tem como frutos a alegria, a paz e a misericórdia; exige a beneficência e a correção fraterna; é benevolência; suscita a reciprocidade; é desinteressada e liberal; é amizade e comunhão:
A finalidade de todas as nossas obras é o amor de Deus. Deus é o fim; é para alcançá-Lo que corremos, é para Ele que corremos; uma vez chegados, é nEle que repousaremos".



27 de agosto de 2012

AS VIRTUDES TEOLOGAIS

A VIRTUDE DA ESPERANÇA


A esperança é a virtude pela qual desejamos como nossa felicidade o Reino dos Céus e a vida eterna, pondo nossa confiança nas promessas de Jesus Cristo, apoiando-nos, não em nossas forças, mas no socorro da graça do Espírito Santo.
A virtude da esperança é a expectativa do Céu, da felicidade eterna. A esperança é a expectativa de alguma coisa muito importante que vai acontecer com certeza. É uma esperança certeza. O que se espera, é certo que irá acontecer. Como a morte é certa... a vida eterna também é certa. E essa vida eterna, que é certa, vai acontecer e nós vamos recebê-la.
A virtude da esperança responde à aspiração de felicidade colocada por Deus no coração de todo ser humano. Purifica as esperanças humanas para ordená-las ao reino dos céus. Protege contra o demônio. Dá alento em todo esmorecimento. Dilata o coração em toda expectativa da bem-aventurança eterna.
A esperança cristã se manifesta desde o início da pregação de Jesus no anúncio das bem aventuranças. As bem aventuranças elevam nossa esperança para o céu. Pelos méritos de Jesus Cristo e de sua Paixão, Deus nos guarda na esperança “que não decepciona” (Rm 5,5). É uma arma que nos protege no combate da salvação: “Revesti-vos da couraça da fé e da caridade, e do capacete da esperança da salvação. (1ts 5,8). Ela traz alegria mesmo nas provações: “Alegrai-vos na esperança perseverando na tribulação (Rm 12,12)
Os mártires se entregavam como alegria aos seus sofrimentos porque sabiam que logo após o martírio viria o Céu!
Podemos esperar com certeza a glória do céu prometida por Deus aos que O amam e fazem sua vontade. Em qualquer circunstância cada qual deve esperar, com a graça de Deus, perseverar até o fim e alcançar a alegria do céu, como recompensa eterna de Deus pela boas obras praticadas com a graça de Cristo.
“Espera, ó minha alma, espera! Ignoras o dia e a hora. Vigia cuidadosamente, tudo passa com rapidez, ainda que tua impaciência torna duvidoso o que é certo, e longo o tempo bem curto. Considera que quanto mais pelejares, mais provarás o teu amor que tem a Deus, e mais te alegrarás um dia com o teu bem amado em gozo e deleite que não podem ter fim.(Santa Teresa)

26 de agosto de 2012

AS VIRTUDES TEOLOGAIS


AS TRÊS VIRTUDES TEOLOGAIS
As virtudes teologais se referem diretamente a Deus. Dispõe os cristãos a viver em relação à Santíssima Trindade e tem a Deus Uno e Trino como origem, motivo e objeto.
As virtudes teologais fundamentam, animam e caracterizam o agir moral do cristão. Informam e vivificam todas as virtudes morais. São infundidas por Deus na alma dos fiéis para serem capazes de agir como filhos e merecer a vida eterna. São o penhor da presença e da ação do Espírito santo nas faculdades do ser humano.
As virtudes teologais são três: Fé, Esperança e Caridade.

A VIRTUDE DA FÉ
A fé é a virtude teologal pela qual cremos em Deus, e porque cremos nEle, cremos e aceitamos tudo o que nos disse e revelou, e que a Santa Igreja nos propõe a crer, porque Ele – Deus – é a própria verdade. Pela fé, o homem livremente se entrega todo a Deus. Por isso o fiel procura conhecer e fazer a vontade de Deus. “O justo vive da fé”(Rm 1,17)
No caminho cristão, a fé consiste em crer – acreditar - em Jesus Cristo. Um crer que leva a aceitar Jesus Cristo como Deus, como filho de Deus, como Salvador e Senhor. Porque se crê – se acredita - em Jesus, como verdadeiro, que fala a verdade e não pode enganar nem mentir, se passa a crer com toda certeza em tudo aquilo que Ele revelou. Resume-se assim: “Porque Ele disse, eu creio! Eu poderia me enganar, mas Ele não!”
Porque foi Jesus quem revelou o Pai, o Espírito Santo, a vida eterna, o Céu, o inferno, a recompensa das boas obras, o perdão dos pecados, a ressurreição para a vida eterna, porque foi Ele quem revelou, nós cremos com toda certeza, sem qualquer dúvida. Eis a fé...
A fé, privada da esperança e da caridade não une plenamente o fiel a Cristo e não faz dele um membro vivo do seu corpo.
O discípulo de Cristo não deve apenas guardar a fé e nela viver, mas deve professá-la e testemunhá-la com firmeza e difundi-la. O serviço e o testemunho da fá são requisitos da salvação. “Todo aquele que se declarar por mim diante dos homens também eu me declararei por ele diante do meu pai que está nos céus. Aquele, porem que me negar...




24 de agosto de 2012

AS VIRTUDES CARDEAIS


QUARTA VIRTUDE CARDEAL -
A TEMPERÂNÇA OU AUTO DOMÍNIO
A temperança é a virtude moral que modera a atração pelos prazeres, e procura o equilíbrio no uso dos bens criados. Assegura o domínio da vontade sobre os instintos, e mantém os desejos dentro dos limites da honestidade.
A pessoa temperante orienta para o bem seus apetites sensíveis, guarda uma santa discrição e “não se deixa levar pelas paixões do coração” (Eclo, 5,2) Não te deixes levar pelas paixões e refreia os teus desejos. (Eclo 18, 30)
Ela é o freio da nossa alma. A temperança é a virtude pela qual usamos com moderação dos bens temporais, quer eles sejam comida, bebida, sono, diversão, sexo, conforto, etc. Ela nos ensina a usar essas coisas na hora certa, no tempo certo, na quantidade adequada. Ela nos ensina que certos atos são reservados a certas situações.
A Temperança nos ajudará a vencer os maus pensamentos e maus desejos, ajudará um casal a nunca trair o sacramento do matrimônio pelo adultério, etc. Todos esses maus pensamentos e maus desejos e ocasiões de pecado devem ser combatidos imediatamente, sem perda de tempo, com muita coragem e força, para que não se tornem pecados mortais. Na verdade, todas as quatro virtudes cardeais se unem no combate da alma para praticar os Mandamentos de Deus.
A temperança é o auto-controle, o auto-domínio, a renúncia, a moderação. A temperança ordena afetos, domestica os instintos, sublima as paixões, organiza a sexualidade, modera os impulsos e apetites. Abre o caminho para a continência, a castidade, a sobriedade, o desapego. É próprio da temperança o cuidado conosco mesmos, com os outros e com a natureza. A temperança não permite que sejamos escravos, mas livres e libertadores, e nos encaminha para o cumprimento dos deveres e para a maturidade humana. Sem renúncia não há maturidade. Grande fruto da renúncia é a alegria e a paz.
Essa temperança é uma virtude humana, que pode existir na vida de uma pessoa sem fé e sem Deus.
Mas existe o “fruto do Espírito” que também se chama temperança ou auto domínio. Esta temperança é produzida no coração da pessoa que cultiva sua fé e mantém um bom relacionamento com o divino Espírito Santo. É graça de Deus. É o Espírito agindo no coração.

As virtudes cardeais e a graça divina.
As virtudes humanas adquiridas por decisão pessoal, por atos deliberados e por uma perseverança sempre retomada com esforço, são purificadas e elevadas pela graça divina. Com o auxílio de Deus, forjam o caráter e facilitam a prática do bem. O homem virtuoso sente-se feliz em praticar a virtude. (CIC 1810)
Não é fácil ao ser humano ferido pelo pecado manter o equilíbrio moral. No entanto, o dom da salvação de Cristo nos concede a graça necessária para perseverar na conquista das virtudes. Cada um deve sempre pedir esta graça de luz e de fortaleza, recorrer aos sacramentos e cooperar com o Espírito Santo, seguir seus apelos de amar o bem e evitar o mal. (CIC 1811)

23 de agosto de 2012

AS VIRTUDES CARDEAIS


TERCEIRA VIRTUDE - A FORTALEZA
A fortaleza é a virtude cardeal ou moral que dá segurança nas dificuldades, firmeza e constância na busca do bem. Ela firma a resolução de resistir às tentações e superar os obstáculos na vida moral. A virtude da fortaleza torna capaz de vencer o medo, inclusive da morte, de superar as provações e as perseguições. É capaz de dispor alguém a aceitar até a renúncia e o sacrifício de sua vida para defender uma causa justa. “Minha força e o meu canto é o Senhor” (Sl 118, 14). “No mundo tereis muitas tribulações, mas tende coragem, eu venci o mundo” (Jo 16, 33)
A fortaleza é a virtude que dá à nossa vontade a energia necessária para vencer os obstáculos que nos atrapalham na prática do bem. Devemos resistir, quer dizer, permanecer firmes na fé, apesar dos ataques dos nossos inimigos e das nossas fraquezas pessoais. Ter fortaleza é manifestar espírito de iniciativa, alegria na realização do dever de estado, perseverança no combate contra nossas paixões: o orgulho, o egoísmo, a raiva, a sensualidade, etc. Praticando os atos da virtude de fortaleza, conseguiremos, com a graça de Deus, vencer as tentações, fugir dos pecados e das ocasiões de pecado que nos chamam com tanta força para o mal.
A fortaleza faz-nos fortes no bem, na fé, no amor. Leva-nos a perseverar nas coisas difíceis e árduas, a resistir à mediocridade, a evitar rotina e omissões. Pela fortaleza vencemos a apatia, a acomodação e abraçamos os desafios.. É a virtude dos profetas, dos heróis, dos mártires e dos pobres. A fortaleza dos mártires e a ousadia dos apóstolos, como também a força dos pequenos e dos fracos é um sinal do dom da fortaleza na vida humana e na história da Igreja. Hoje a fortaleza nos leva a enfrentar a depressão, o stress, o câncer, a AIDS, os golpes da vida. Grandes são os conflitos humanos, porém maior é a força para superá-los. A vida é luta renhida, dizia nosso poeta, e a fé é um combate espiritual. “Coragem, Eu venci o mundo!” (Jo 16,33).
Esta fortaleza é uma virtude humana, conquistada pela educação da vontade que, repetindo atos de decisão, forma o hábito de praticar os atos bons com decisão. Uma pessoa sem fé em Deus pode ter até em alto grau essa fortaleza. (Os militares... Os desportistas...)
Existe, porém, o dom infuso da fortaleza. Essa fortaleza é dada em gérmen pelo Espírito Santo no santo Batismo. Neste caso, a graça do Espírito Santo vai inspirando e movendo o coração a agir com prontidão. A repetição dessa obediência ao Espírito Santo desenvolve o dom da fortaleza. Essa fortaleza é muito superior à virtude humana.

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22 de agosto de 2012

AS VIRTUDES CARDEAIS


SEGUNDA VIRTUDE CARDEAL - A JUSTIÇA
A justiça é a virtude que consiste na vontade constante e firme de dar ao outro ( a Deus e ao próximo) o que lhe é devido. “Suum cuique”, isto é, a cada um o que lhe pertence.
A justiça para com Deus se chama “virtude da religião”. A justiça para com os homens dispõe a respeitar os direitos de cada um, e a estabelecer nas relações humanas que promove a equidade em prol da pessoas e da comunidade. O homem justo distingue-se pela correção habitual de seus pensamentos e pela retidão de sua conduta para com o próximo.
Deus entregou a terra a Adão para que ele e seus filhos a plantassem e tirassem dela o seu sustento. O homem usou e usa as coisas da natureza para comer, para vestir, para fabricar objetos necessários à sua vida. Como filhos de Deus e tendo recebido a terra como herança, os homens podem possuir suas coisas, sua terra, sua casa, seus objetos, que lhe são necessários para viver e para alimentar sua família. É fácil compreender que nem sempre haverá um acordo entre os homens sobre a possessão desses bens materiais.
Para ajudá-los a viver em paz e a possuir com boa medida o que lhes é necessário, Deus nos deu a virtude de justiça, pela qual nós queremos, com nossa boa vontade, dar aos outros o que lhes é devido, protegendo também o que nos pertence e, sobretudo, dar a Deus o que Ele nos pede, no seu amor por nós: amor, dedicação, louvor, etc.
Vamos ilustrar o que dissemos com alguns exemplos:
Quando tomamos emprestado um objeto, a virtude da justiça nos leva a querer devolvê-lo no tempo estipulado, pois sabemos que a pessoa que nos emprestou pode ficar prejudicada se não recebê-lo de volta. Quando compramos um objeto, é justo que paguemos o seu valor. Quando assinamos um contrato com alguém, devemos cumpri-lo (como o matrimônio é um contrato passado diante de Deus, a virtude da justiça nos impede de querer nos separar, pois no contrato do matrimônio aceitamos viver para sempre com a pessoa com quem casamos.
Porém, não basta que os homens tenham entre si esse relacionamento de justiça. A vida na sociedade é muito complicada e foi preciso se organizar um governo que ajudasse os homens a viverem juntos numa mesma cidade, num mesmo país. Por isso, a virtude da justiça vai também atuar no relacionamento dos homens com o governo, quer ele seja um prefeito, um guarda de trânsito, o presidente ou um rei. Os homens devem obedecer às leis estabelecidas pelas autoridades, enquanto que a autoridade deve atuar de forma igual para com todos, ajudando os bons e castigando os maus.
A justiça regula nossa convivência, possibilita o bem comum, defende a dignidade humana, respeita os direitos humanos. É da justiça que brota a paz. Sem a justiça, nem o amor é possível. É a virtude da vida comunitária e social que se rege pelo respeito à igualdade da dignidade das pessoas. Da justiça vem a gratidão, a religião, a veracidade. Não se pode construir o castelo da caridade sobre as ruínas da justiça. Pelo contrário, o primeiro passo do amor é a justiça, porque amar é querer o bem do outro. A justiça é imortal (Sab 1,15). Esta virtude trata de nossos direitos e nossos deveres e diz respeito ao outro, à comunidade e à sociedade.

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21 de agosto de 2012

AS VIRTUDES HUMANAS E CRISTÃS


AS VIRTUDES CARDEAIS OU MORAIS 
Quatro virtudes tem um papel central, em torno das quais se agrupam as demais. Recebem o nome de virtudes cardeais. O nome vem do latim “cardo”, que se traduz por gonzo, dobradiça, porque em torno delas se movem todas as demais virtudes humanas.
São elas: a prudência, a justiça, a fortaleza e a temperança.

1. A PRUDÊNCIA
A prudência é a virtude que ilumina a razão para discernir com segurança, aquilo que é bom, justo, digno, favorável, verdadeiro, e que torna pronta a vontade para buscar decididamente esse bem, e realizá-lo com firmeza e satisfação.
A prudência leva a distinguir com segurança entre o bem e o mal, o bom e o mau, o justo e o injusto, o certo e o errado, o que faz bem e o que prejudica. E ao mesmo tempo imprime um impulso de praticar o que é bom, justo, certo.
“ A prudência é a regra certa da ação” escreve Santo Tomás.
A prudência não se confunde com o medo de agir, nem com timidez pessoal, nem com duplicidade ou dissimulação.
É a prudência que guia o juízo (julgamento) da consciência. E o homem prudente decide e ordena sua conduta seguindo esse juízo. Graças a esta virtude, aplicamos sem medo os princípios morais aos casos particulares e superamos as dúvidas sobre o bem a praticar e o mal a evitar. (CIC 1806)
Prudência é a virtude que nos ajuda a escolher. Não se trata de escolher coisas fúteis e bobas. A Prudência nos ajuda a escolher os meios adequados para realizar o bem e vencer o mal. É uma escolha muito importante e que a qualquer momento precisamos fazer.
Vou estudar ou vou brincar? Depende da hora! Se for hora de estudar, vamos estudar, se for hora de brincar, vamos brincar. É a prudência que nos ajuda a compreender essas coisas. Ela aproveita a hora propícia, o lugar acertado onde devemos estar e nos impede de tomar decisões precipitadas. O lema dela é: fazer o que é certo, na hora certa, no lugar certo. A Prudência, iluminada pela nossa fé e ajudada pela graça santificante, nos leva a escolher os atos bons que são o caminho da nossa salvação.
É sobre esta Prudência que Jesus fala no Evangelho: «Eis que vos mando como ovelhas no meio de lobos. Sede, pois, prudentes como a serpente e simples como as pombas.» (S. Mat 10,16)
Prudência é o reto agir, o bom senso, o equilíbrio. Cuida do lado prático da vida, da ação correta e busca os meios para agir bem. Prudência é o mesmo que sabedoria, previdência, precaução. O prudente é previdente e providente. É pessoa que abandona as preocupações e abraça as soluções. Deixa as ilusões e opta pelas decisões. Rejeita as omissões e se empenha nas ocupações. O lema dos prudentes é: “Ocupação sim, preocupação não.” A prudência coloca sua atenção na preparação dos fatos e eventos e nunca na precipitação nem no amadorismo ou improvisação. Ciência sem prudência é um perigo.

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20 de agosto de 2012

AS VIRTUDES EMBELEZAM A PERSONALIDADE

AS VIRTUDES HUMANAS E CRISTÃS

AS VIRTUDES  -  BELEZAS DA PERSONALIDADE                   

A palavra “virtude” vem do latim, “virtus”, que significa uma força interior que procede do psiquismo humano e que lhe possibilita realizar com mais facilidade, coragem e fortaleza, os atos bons que deseja realizar.
O termo “virtus”, por sua vez, vem de “vir” que significa varão, varonil. e sugere força, vigor; E “tus”, que sugere incenso, incensado, cultuado. Portanto, “virtus” é o cultivo voluntário de uma força interior para realizar o bem.
Virtude, pois, é um vigor, uma força presente no psiquismo humano que facilita e possibilita realizar coisas boas, o bem, com maior prontidão, facilidade e êxito.
Virtude é um habito bom. Hábito é uma força interior que leva a realizar os “atos” que deram origem ao “hábito”. É pela repetição voluntaria dos ”atos bons” que se cria o “hábito bom”.
O contrário da virtude é o vício. Este é uma força interior que leva o ser humano a praticar atos maus. Foi pela repetição dos atos maus que se criou o vício.
“Com todas as forças sensíveis e espirituais, a pessoa virtuosa tende ao bem, persegue-o e o escolhe na prática” (CIC = Catecismo da Igreja Católica - 1803)

AS VIRTUDES  HUMANASAs virtudes humanas são forças interiores que geram atitudes firmes, disposições estáveis, perfeições habituais da inteligência e da vontade, que regulam nossos atos, pondo em ordem nossas paixões e guiando-as segundo a razão e a fé. Possibilitam, assim, facilidade, domínio e alegria para levar uma vida moralmente boa. Pessoa virtuosa é aquela que livremente pratica o bem.
As virtude morais são adquiridas humanamente. (sem a graça... ou com ela...) São os frutos e os germens de atos moralmente bons. (CIC 1804)
São virtudes humanas: o amor natural, a bondade, a solidariedade, a generosidade, a compaixão, a fidelidade, a nobreza, a justiça, a honradez. a pureza da sexualidade, a humildade, etc. Elas são humanas e podem existir em alguém que não tenha fé, nem religião. Mas essas mesmas virtudes humanas podem ser “cristianizadas” e se tornarem virtudes cristãs.

Adquire-se uma virtude mediante algumas ações decisivas:
1. Pelo conhecimento da mesma, pela admiração por ela, pelo desejo de possuí-la.
2. Pela decisão da vontade de realizar os atos próprios dessa virtude, toda
vez que houver oportunidade. A repetição do ato gera o hábito.
3. Repetir sempre de novo os mesmos atos até tornar-se um hábito.
4. Criado o habito bom da virtude em questão, reforçá-lo sempre de novo com os atos repetidos com satisfação e alegria. As virtudes humanas precisam ser adquiridas.
Porque nascemos com o pecado original, e por causa de suas consequências, não trazemos as virtudes na nossa natureza. Pelo contrário. Trazemos, sim, as tendências para o mal. Trazemos tendências ao orgulho, ao egoísmo, à mentira, à falsidade, ao materialismo, à conservar mágoas e ressentimentos, etc.
A raiz primeira das virtudes humanas pode estar já no útero materno. O modo de viver e o comportamento da mãe, durante a gestação, já pode transmitir ao bebê os inícios das virtudes humanas. E o desabrochamento das mesmas se dá na forma de comportamento dos pais, e principalmente da educação que a criança recebe na família, na escola.

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16 de agosto de 2012

SOLENIDADE DA ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA

ASSUNÇÃO DA IMACULADA


SOLENIDADE DA ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA AOS CÉUS

Neste domingo, dia 19 de agosto, é a festa da Assunção. Celebramos o glorioso acontecimento da elevação de Maria, mãe de Jesus, aos céus, em corpo e alma. Diz o Vaticano II, no número 147: “Terminado o curso da via terrestre, Maria foi assunta em corpo e alma à glória celeste”. Em síntese: ao final de sua vida terrena, certo dia, a Virgem “adormeceu”, seu corpo foi imediatamente glorificado, e Ela – completa – com seu corpo e alma – foi elevada aos céus. Seu corpo não se corrompeu. Foi transformado, glorificado, imortalizado, à semelhança do corpo ressuscitado de Jesus.
Maria não morreu?... Uma corrente de teólogos diz que não. Aliás, eles indicam argumentos teológicos e bíblicos muito fortes. Para esses, ela teria apenas “adormecido” num sono semelhante ao da morte. Seu espírito – sua alma – não teria deixado seu corpo. Neste estado de “dormição - adormecimento”, foi sepultada, e imediatamente transformada, glorificada e elevada, inteira, para a glória do céu.
Maria morreu?... Outra corrente de reflexão teológica diz que sim, e aponta seus argumentos. Afirmam que Maria quis seguir o mesmo caminho de seu Filho. À semelhança de Jesus, Maria teria morrido, teria sido sepultada e imediatamente ressuscitada. Seu corpo teria sido glorificado, e Ela – inteira – teria sido elevada à glória dos céus, em corpo e alma.
Como foi exatamente a “passagem”, a “páscoa” de Maria para o céu, por certo, só o saberemos quando estivermos com Ela, na glória.

O túmulo de Nossa Senhora.
O túmulo onde a Virgem “repousou por um pouco de tempo” está em Jerusalém, na Igreja da Assunção. Um documento de alta antiguidade, chamado “Dormício Vírginis”, “A Dormição, o Adormecer da Virgem”, conhecido desde o segundo século, revela o lugar onde o corpo de Maria deveria ser colocado. Diz o documento: “Nesta manhã, tomai convosco a senhora Maria e andai para fora de Jerusalém, pelo caminho que conduz à cabeceira do vale, além do monte das Oliveiras. Ali existem três grutas: uma larga, externa; depois outra, dentro dessa; e uma pequena câmara interna, com um banco elevado, de argila, na parte leste. Colocai a Bendita sobre aquele banco”. Alguns atribuem esse documento ao Apóstolo São Tiago, bispo de Jerusalém.
Essa tumba era venerada pela comunidade judia-cristã deste os primórdios da Igreja, como sendo, de fato, o túmulo de Nossa Senhora. No século V, a “câmara” onde foi colocado o corpo de Nossa Senhora foi separada e isolada do conjunto das duas outras salas anteriores, e em torno, e sobre ela, foi construída uma igreja, como se pode ver atualmente. Essa igreja foi dedicada à Assunção de Maria. (Cf. Guida di terra Santa, pg 104, ano 1973)

A igreja da Assunção, em Jerusalém
No lugar do túmulo de Nossa Senhora foi construída a igreja da Assunção. A construção passou por várias modificações, inclusive por destruições feitas por Saladino (1187) e reconstruções realizadas pelos cruzados, e mais tarde, pelos frades franciscanos. Atualmente, se desce por uma longa escadaria até o corpo da igreja subterrânea, onde se encontra a tumba, “onde a Imaculada dormiu seu breve sono”. Desde 1757, quando os frades franciscanos foram expulsos do local e lhes foi tirado o direito de cuidar do local, à comunidade católica sobra a possibilidade de ali prestar um culto público e comunitário, de forma oficial, apenas três vezes por ano, dentre as quais, o dia 15 de agosto, quando se celebra a Assunção de Maria. (Cf. Guida di terra Santa, pg 104, ano 1973)

A Assunção na Bíblia
Não encontramos textos bíblicos “explícitos” que relatem a verdade da Assunção de Maria aos céus, em corpo e alma. Os estudiosos do assunto, contudo, dão fortes razões para explicar o fato de os escritores sagrados do Novo Testamento não relatarem esse acontecimento.
Esses mesmos mariólogos, em suas reflexões teológicas, apontam para alguns textos bíblicos onde vêem “implicitamente” a presença da verdade da Assunção, ou seja, da ressurreição e glorificação imediata da Virgem, após sua “dormição”. Eis alguns textos. 1. No proto-evangelho: Gn 3,15. 2. Na saudação do Arcanjo a Maria: Lc 1,28 3. Salmo 131, 8. 4. Salmo 44, 10. 5. Apoc 12, 1.
A algum possível leitor que não aceita essa verdade porque não há textos bíblicos explícitos que falem a palavra “Assunção”, e nem relatem claramente o fato ocorrido com Maria, precisamos lembrar que nós, católicos, temos duas fontes principais da revelação: a Bíblia e a Tradição. É bom recordar que os Evangelhos, antes de serem escritos como os temos hoje, também eram “tradição”. Eram falados, contados, pregados, escritos por partes. A Tradição é muito forte na transmissão do acontecimento da Assunção, deste os inícios do cristianismo. Ela é, para nós, fonte segura da verdade sobre a Assunção da Virgem.

A voz da Tradição
O conhecimento da verdade da Assunção, a aceitação feliz e agradecida desse fato, as narrativas orais feitas de geração para geração, os escritos apócrifos descritivos, o culto junto à tumba da Virgem, toda essa tradição foi ininterrupta na Igreja, desde os tempos apostólicos.
A literatura do povo fiel daqueles dias longínquos afirma de forma mais explícita a Assunção corpórea de Maria. Os escritos apócrifos, tão numerosos e difundidos nas línguas orientais, relatam com abundância de pormenores a Assunção de Maria. Se neles há piedosas considerações feitas por fantasias estimuladas pela fé e amor para com Maria, em sua substância encontra-se o relato do pensamento e das crenças dos cristãos daqueles tempos, sobre a verdade da Assunção da Imaculada.
O cuidado para com o lugar do túmulo de Maria, a construção da igreja sobre o túmulo, as disputas contra os hereges pela posse do local, as várias reconstruções da igreja, aliás em séculos tão distantes, mostram desde os tempos apostólicos a forte convicção e certeza dos cristãos quanto à Assunção da mãe de Jesus. Essa tradição torna-se uma muito forte prova da veracidade do acontecimento da Assunção de Maria.

A festa e o dogma
A festa da Assunção já foi instituída nos longínquos anos trezentos, e logo aparece como uma festa de uso universal e comum, não somente entre os cristãos, mas também entre antiqüíssimas igrejas nacionais, como a dos armênios e dos etíopes.
A partir do século V, a Assunção de Maria já se encontra afirmada em muitos documentos. No século VII a doutrina e a festa da Assunção se difundem por todo orbe católico.
No Concílio Ecumênico Vaticano I, mais de duzentos bispos solicitaram ao Papa a declaração do dogma da Assunção de Maria aos céus em corpo e alma. Mas essa verdade só foi declarada como “verdade de fé”, como Dogma de fé, em primeiro de novembro de 1950, pelo Papa Pio XII.
Com a declaração do dogma, a Igreja nos garante a certeza de que, de fato, a Virgem Maria foi elevada aos céus em corpo e alma, e está na gloria, junto da Trindade.
“Maria, assunta aos céus, tu és a glória de Jerusalém, a alegria de Israel e a honra do nosso povo”!



DOMINDO - SOLENIDADE DA ASSUNÇÃO

15 de agosto de 2012

O EVANGELHO É UMA PESSOA


O Evangelho é uma pessoa: Jesus morto e ressuscitado. A Boa Nova é uma pessoa: Jesus morto pela nossa redenção e ressuscitado para a nossa vida nova. Evangelho não são verdades, mas a Verdade-Pessoa: Jesus. Evangelho não é livro, não são palavras, não são mensagens. Evangelho é Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador e Senhor, morto e ressuscitado. Eis a Boa Nova! Eis o Evangelho! Eis a notícia maravilhosa, a super notícia.
Evangelizar é fazer Jesus acontecer na vida de alguém, como aconteceu na vida de Zaqueu. E fazer Jesus Vivo entrar na vida de uma pessoa a ponto de a transformar. A expressão "fazer Jesus acontecer" pode parecer um tanto incomum, dura aos ouvidos, fora da linguagem evangelizadora. No entanto, revela a profundidade do acontecimento interior, no coração humano, quando Jesus acontece.
Jesus é o maior acontecimento da história da humanidade! A história é dividida em duas etapas: antes de Cristo (a.C.) e depois de Cristo (d.C.). Jesus é o maior acontecimento da humanidade exatamente porque, com a Sua vinda como Salvador, como Redentor, fez acontecer à reconciliação da humanidade com Deus e gerou a possibilidade de salvação para todos os homens.
Pela mesma razão, Jesus pode ser o maior acontecimento da vida de uma pessoa. Quando Jesus é aceite como Deus, Salvador e Senhor, e entra no coração de uma pessoa, um grande acontecimento envolve a sua vida e pode deixar marcas maravilhosas para sempre.
"Fazer Jesus acontecer" é apresentar a pessoa de Jesus ressuscitado de uma forma tão viva, tão fascinante, tão envolvente, tão forte e convincente que o ouvinte fique impressionado, desejoso de conhecê-lo, de acolhe-l0 e de se render a Ele. E isso é evangelizar.
"Fazer Jesus acontecer" é provocar um encontro tal entre Jesus Ressuscitado e uma pessoa que esta fique marcada pela personalidade, pelas qualidades, pelas maravilhas da pessoa de Jesus. Eis a evangelização.
"Fazer Jesus acontecer" é anunciar Jesus de tal forma que os corações se abram a Ele e esse encontro se torne um acontecimento marcante na história das pessoas. Isto é evangelizar.
Quando Jesus acontece, a pessoa entra em processo de evangelização. Quando Jesus acontece profundamente no coração, a pessoa é evangelizada. Aliás, a pessoa evangelizada não será nunca mais a mesma!

14 de agosto de 2012

VOCAÇÃO: UMA TERCEIRA VIA ?


AGOSTO - MÊS DAS VOCAÇÕES

Quando se fala em “vocação” pensa-se quase sempre no chamado feito por Jesus a um ser humano para que assuma o sacerdócio ou a vida religiosa consagrada, masculina ou feminina.
Mas será que não haveria outra possibilidade de vocação para alguém que, honesta e conscientemente, não se sente chamado por Jesus, nem para o sacerdócio, nem para a vida consagrada masculina ou feminina, nem para algum instituto ligo de consagração a Deus, nem nessas comunidades novas, e nem para o matrimônio?
Como entender a vocação de uma pessoa que não se encaixa em nada do que foi exposto acima, mas que tem fé esclarecida, tem consciência de sua pertença à Igreja, sabe que sendo membro vivo do Corpo de Cristo, deve viver em comunhão e participação ativa? Haveria uma vocação específica para um jovem maduro, ou uma jovem adulta, que muito conscientemente não se sentem chamados para o matrimônio e nem para alguma forma de consagração? Haveria uma vocação semelhante para um viúvo ou viúva ainda relativamente jovens, bem como para um homem ou mulher desquitados ou divorciados que não se sentem mais vocacionados para um novo matrimônio, quando possível, nem para o sacerdócio ou para algum tipo de vida consagrada? Haveria uma vocação para estes, a ponto de, tendo realizado um discernimento vocacional correto e profundo, poderem assumir uma forma de vida cristã muito consciente, profunda, operosa e santa, dedicando todo seu tempo disponível, seus dons naturais, adquiridos ou sobrenaturais, para servir a Deus com grande satisfação na Igreja?

Com toda certeza, a resposta é “SIM”.
Essa resposta enraíza-se no Santo Batismo. Todo ser humano é criado para ser chamado à vida cristã. Em outros termos: todo ser humano tem a vocação à vida cristã. Pelo sacramento do Batismo acontece a sua consagração fundamental. Todas as outras consagrações enraízam-se nesta cepa fundamental necessária que é o Santo Batismo. Todo batizado é um consagrado ao Deus vivo, Uno e Trino. Mais. Pelo Batismo, o cristão é enxertado, implantado como membro de Jesus Cristo, sacerdote, profeta e rei. Portanto, passa a ser membro de Jesus Cristo, “sacerdote” para oferecer e santificar todas as coisas; “profeta”, para anunciar o Evangelho; rei, para ajudar a organizar todas as coisas, na sociedade menor ou maior, de acordo com o Evangelho. Na realidade batismal do sacerdócio, da profecia e da realiza, engloba-se toda a vida cristã.
Isto nos diz que todos aqueles que não receberam uma “vocação específica”, como todas as que descrevemos acima, têm uma vocação fundamental cristã, de sacerdócio, profecia e realeza a abraçar, assumir, desenvolver e colocar a serviço dos irmãos, na Igreja.
Pode-se porém perguntar: “Mas esta vocação batismal fundamental não é a de todos os batizados”? Sim, com certeza. No entanto, aquilo que aqui chamo de ‘Terceira Via” é algo diferente. É uma vocação também enraizada sobre a vocação batismal, como todas as demais, mas é diferente, “sui generis”.
É, pois, diferente da vocação ao matrimônio, ao sacerdócio ou a alguma das muitas formas de consagrações. Nessa vocação a pessoa é chamada por Jesus a viver uma forma de vida, eu diria, plenamente leiga, sem qualquer outro vínculo a não ser o batismal. É chamada a viver com radicalidade sua vida cristã, buscando conscientemente a santidade, dedicando-se a servir a seus irmãos, na Igreja, com decisão e em todo seu tempo disponível, num ministério ou serviço conformado aos seus carismas pessoais.

OPÇÃO SURPREENDENTENessa vocação a pessoa poderia casar e tem todas as condições de fazê-lo. Mas se sente chamada fortemente a não casar para poder servir melhor, com mais liberdade. Poderia se consagrar em una das muitas formas de consagração, mas não sente que é esse o seu chamado. Sente, sim, que Jesus a quer servindo ao seu povo na sua Igreja, mas num estado leigo, sem vínculo de consagração.
Existem pessoas chamadas a essa vocação e que assumiram essa “terceira via”? Com certeza. Talvez mais do que imaginamos. É verdade, porém, que muitas dessas, ao manifestarem seu chamado a um diretor espiritual ou a um confessor, foram convencidas a fazerem algum tipo de consagração. Faltou um discernimento mais aprofundado. Talvez o sacerdote ou valoriza a consagração como uma forma mais elevada de servir na Igreja, esquecendo a consagração batismal, ou desconhece a possibilidade de uma vocação que não se destina a um compromisso de consagração particular.
Com certeza, o Espírito Santo levará a Igreja a descobrir mais profundamente a existência e a validade dessa vocação, e a propô-la com mais freqüência aos fiéis leigos.

13 de agosto de 2012

AGOSTO - MÊS VOCACIONAL

UMA VOCAÇÃO UNIVERSAL

O termo ‘vocação’ vem da língua latina, e se traduz por ‘chamado’. Esse termo é usado em diversos sentidos, pois seu significado se abre como as muitas e diferentes palhetas de um belo leque.
Em seu significado mais específico, evangélico e eclesial, vocação é o chamado que Jesus ressuscitado faz a determinadas pessoas, propondo-lhes algum “estilo diferente de vida’ e/ou alguma ‘missão’ a ser realizada. Foi o que ocorreu com os doze Apóstolos. Foi o que aconteceu com milhões de homens e mulheres, nestes quase dois mil anos, desde a ressurreição de Jesus até os nossos dias. Estes todos, chamados por Jesus, disseram um “Eis-me aqui, envia-me, Senhor!” e se tornaram padres, bispos e papas. E as mulheres tornaram-se religiosas consagradas em ordens, congregações, institutos ou comunidades de consagradas.

VOCAÇÃO À VIDA
Em sentido muito amplo e abrangente, pode-se falar em ‘vocação à vida’, pois todo ser humano é chamado por Deus a existir para sempre, isto é, para uma rápida peregrinação por este planeta, e depois a viver a vida eterna.
Junto com o chamado à vida, existe a vocação ao ‘cristianismo’. Todos os seres humanos são criados pelo Pai celeste a fim de se tornarem ‘filhos de Deus’ pelo conhecimento e aceitação de Jesus e pelo recebimento do Espírito Santo, no santo Batismo. Mesmo que muitos, muitíssimos não cheguem a sê-lo, a vontade do Pai é esta: ‘que todos cheguem ao conhecimento da Verdade, que é Jesus, se tornem filhos de Deus e se salvem’. Estas vocações à vida e à filiação divina são universais. Isto é, são para todos os seres humanos.

VOCACIONADOS A SERVIREm nossos dias, na Igreja, toma-se cada vez mais consciência de um chamado para uma diversidade cada vez maior de ministérios, pastorais e serviços a serem prestados nas comunidades católicas. Este chamado pode ser para o exercício dos ministérios leigos como: do Batismo, do Matrimônio, da Eucaristia, da Esperança etc. Outros se sentem chamados aos diversos trabalhos de evangelização querigmática ou de catequeses. Outros, para as mais diversas pastorais. À medida que os leigos estão assumindo seu lugar específico na Igreja e a hierarquia abandona o habitual clericalismo e abre espaço para eles, estes ministérios, pastorais e serviços, passam a ser dinamizados por pessoas mais conscientes, mais bem preparadas e, principalmente, por pessoas que assumem “não por serem ‘chamadas’ pelo padre”, ou “porque têm vontade de fazer alguma coisa”, mas porque descobriram em seu coração o chamado de Jesus. Portanto, assumem a sua missão ‘por vocação’, por causa do chamado do Mestre.

12 de agosto de 2012

AGOSTO - MÊS DAS VOCAÇÕES


VOCAÇÃO AO MATRIMÔNIO

O termo ‘vocação’ vem da língua latina, e se traduz por ‘chamado’. Esse termo é usado em diversos sentidos, pois seu significado se abre como as muitas e diferentes palhetas de um belo leque.
Podemos falar em ‘vocação para o matrimônio’, para a ‘paternidade ou para a ‘maternidade’. Estas são vocações implícitas na própria natureza criada. Pelo fato de alguém ser criado ‘homem’, em sua natureza está ‘embutido’ o chamado ao matrimônio e à paternidade. Da mesma forma, aquela que é gerada ‘mulher’ traz em si mesma a vocação ao matrimônio e à maternidade. As exceções são muito raras, e quase sempre determinadas por algum tipo de problema pessoal.
É preciso afirmar de imediato que aqueles que são chamados ao sacerdócio e à vida consagrada, quer masculina quer feminina, trazem, sim, em sua natureza, essa vocação ao matrimônio, à paternidade e à maternidade. Se estes todos assumem o celibato, não é por falta da vocação ao matrimônio, mas sim por uma ‘opção positiva’ diante do chamado de Jesus para uma vida celibatária. Estes todos podem afirmar: “Eu não renunciei ao matrimônio!... Eu aceitei o convite de Jesus, e optei, e escolhi livre, voluntária e positivamente, viver esse tipo de vida para o qual Ele me chamou!”
Na verdade, a família é tão importante para o ser humano, que o matrimônio, a paternidade e a maternidade deveriam ser sempre assumidos “como uma vocação personalizada” do Pai celeste. O conhecimento da responsabilidade, da importância e da grandeza de formar um lar deveria ser tão profundo que induzisse os jovens a se prepararem para o matrimônio com todo cuidado, esmero e honestidade. Aliás, deveria ser exatamente com a mesma seriedade como um jovem se prepara para o sacerdócio, ou uma jovem se prepara para a vida consagrada.
Para os jovens poderem se preparar muito bem para o matrimônio, precisam possuir um conhecimento claro e profundo do “projeto divino da procriação humana”. Esse conhecimento lhes mostrará o verdadeiro significado do “masculino e do feminino”, da “genitalidade” masculina e feminina, do sentido da “mútua atração” entre o homem e a mulher, do significado do namoro, do noivado e do casamento, bem como da importância de formar um lar que seja “ninho de amor”, para a realização e felicidade do casal e dos filhos.



8 de agosto de 2012

SERVO DE DEUS - PADRE LEÃO DEHON


DIA 12 DE AGOSTO - CELEBRAÇÃO DE PE. DEHON

BIOGRAFIA

Padre Leão Dehon é o fundador da Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus. Os padres desta congregação, são conhecidos no Brasil também como Padres Dehonianos.
Leão Dehon nasceu no dia 14 de março de 1843, em La Capelle, ao norte da França. Seu pai era Julio Alexandre Dehon. Sua mãe era Estefânia Adele Vandelet. O pai não era religioso. A mãe era devota fervorosa do Sagrado Coração de Jesus. Leão tinha um irmão mais velho do que ele, chamado Henrique.
Leão foi batizado no dia 24 de março do mesmo ano, véspera da festa da Anunciação.

OS ESTUDOS
Leão Dehon frequentou a escola da cidade. Mas o ambiente não era favorável a uma boa educação. Por isso seus pais, preocupados com o futuro do filho, o matricularam no Colégio de Hazebrouck, dirigido por padres. Antes de seu ingresso nesse colégio Leão fez suma primeira comunhão na cidade natal
No Colégio Hazebrouck, encontrou na pessoa de seu diretor, Pe. Dehaene, um grande amigo que o orientou muito bem na luta pela conquista das virtudes.

DIFICULDADES NA VOCAÇÃO
Na noite de Natal de 1856, Leão sentiu forte chamado ao sacerdócio. Conversou como pai a respeito. Recebeu um frio e peremptório "não". Júlio sonhava um futuro brilhante e diferente para o filho. Jamais permitira que ele se tornasse sacerdote.
Em agosto de 1859, Leão terminou seus estudos secundários e, a l6 do mesmo mês, passou, com sucesso nos exames de bacharel em letras.
De volta a La Capelle, expôs novamente seu projeto ao pai. Esta insistência do filho caiu como um raio no lar Dehon. O pai não aceitava de forma alguma a idéia ousada do filho.

FORMAÇÃO UNIVERSITÁRIA
Sem desistir de seu plano, Leão obedeceu momentaneamente a seu pai e foi para Paris. Em agosto de 1862, obteve a licença em direito e, dois anos mais tarde, em abril de 1864, defende a tese de doutorado em direito.
Durante o período de estudo em Paris, Leão impôs-se um ritmo de vida que favorecia sua vocação sacerdotal. Diariamente participava da missa em São Sulpício, sua paróquia.
No fim de uma longa viagem pela Europa e oriente médio, Leão partiu diretamente para Roma, onde chegou a 14 de junho de 1865. Estava firmemente decidido a seguir sua vocação sacerdotal. A viagem à Terra Santa confirmara o chamado do Senhor: "Vem e segue-me! Também te farei pescador de homens!".
Em Roma, mora no colégio francês, Santa Clara, matricula-se no curso de filosofia e, depois de um ano apenas, obtém o doutorado na matéria (1866).

ORDENAÇÃO E MINISTÉRIO
A 19 de dezembro de 1868 foi ordenado sacerdote, na Basílica de São João de Latrão, na presença de seus pais, que aceitaram agora a vocação do filho.
Terminados seus estudos em Roma, recebeu sua primeira transferência. Foi uma grande decepção para ele. Com vários doutorados em sua bagagem, Padre Dehon esperava trabalhar numa universidade. E foi nomeado para ser o 7 vigário paroquial de uma pobre e problemática paróquia: São Quintino.
Em Roma, mora no colégio francês, Santa Clara, matricula-se no curso de filosofia e, depois de um ano apenas, obtém o doutorado na matéria (1866).
Terminados seus estudos em Roma, recebeu sua primeira transferência. Foi uma grande decepção para ele. Com vários doutorados em sua bagagem, Padre Dehon esperava trabalhar numa universidade. E foi nomeado para ser o 7 vigário paroquial de uma pobre e problemática paróquia: São Quintino.
Apesar de tudo, assumiu sua missão com todo ardor e entusiasmo. Conhecendo as grandes necessidades daquela cidade, Padre Dehon teve várias iniciativas de grande repercussão; fundou um patronato, São José (1872), a Obra dos Círculos Católicos (1873); um jornal católico: Le Conservateur de L’Aisne (1874); círculos de estudos religiosos e sociais, com a Conferência de São Vicente de Paulo ( 1875); promoveu encontros de estudos com os patrões, duas vezes por mês (1876): o Colégio São João
Sacerdote, culto, santo e dinâmico, muito conhecido na França, Dehon tinha algo que o inquietava. Não estava satisfeito. Faltava-lhe algo. Não tinha, porém, clareza o que era realmente. Depois de um longo discernimento, feito de oração, de diálogo com sábios sacerdotes e orientadores espirituais, Dehon toma a decisão de fundar a Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus. Data oficial da fundação: 28 de junho de 1878, dia da primeira profissão do fundador.
Padre Dehon faleceu no dia 12 de agosto de 1925, aos 82 anos de idade. Seus restos mortais repousam na Igreja de São Martinho, em São Quintino, França.

A CONGREGAÇÃO
Sociólogo, escritor, advogado e padre Fundador da Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus. Sua vida foi um constante caminhar. Sonhador, lutador, teve decepções, surpresas alegres e tristes. Aprendeu a amar a Igreja. Soube ouvir os gritos numa França cheia de desafios. Fundou jornal, revista, publicou livros, escreveu muito nos Meios de Comunicação Social de então, e deixou-nos por herança : O Sagrado Coração de Jesus.
Temporariamente supressa por determinação da Santa Sé (1883), a nova Congregação experimentou, depois de sua ressurreição (1884), um vertiginoso crescimento e um surpreendente impulso missionário espalhando-se por diversos países.
Além dos trabalhos de governo e animação de sua congregação como superior geral, Padre Dehon participou dos grandes eventos de cunho social na agitada França daquele fim de século. Sensível aos grandes problemas sociais de então, Padre Dehon era protagonista de congressos e de assembléias, onde se discutiam as questões sociais, principalmente depois da publicação da Rerum Novarum, da qual foi um incansável divulgador e defensor. Sem dúvida, pode-se dizer que era um missionário da doutrina social da Igreja. Proferiu conferências (principalmente em Roma), escreveu artigos em jornais e revistas (Le Règne du Sacrré-Coeur dans les âmes et dans les sociétés), publicou livros sobre o tema, principalmente: Manual social cristão (1894) e o Catecismo social (1898). Outros: A usura no campo presente ( 1895); Nossos Congressos (1897), As pontifícias diretrizes políticas e sociais (1897), Riqueza, mediocridade ou pobreza ( 1899), A renovação social cristã (1900).
Padre Dehon faleceu no dia 12 de agosto de 1925, aos 82 anos de idade. Seus restos mortais repousam na Igreja de São Martinho, em São Quintino, França.
Sociólogo, escritor, advogado e padre Fundador da Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus. Sua vida foi um constante caminhar. Sonhador, lutador, teve decepções, surpresas alegres e tristes. Aprendeu a amar a Igreja. Soube ouvir os gritos numa França cheia de desafios. Fundou jornal, revista, publicou livros, escreveu muito nos Meios de Comunicação Social de então, e deixou-nos por herança : O Sagrado Coração de Jesus.
"Por Ele vivi, por Ele morro", foram suas últimas palavras.